A cidade histórica de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, recebeu entre os dias 20 e 23 de novembro a 39ª edição do Festival de Jabuticaba, considerado o maior evento dedicado à fruta no país. Organizado pela Associação de Produtores de Derivados da Jabuticaba de Sabará (Asprodejas), o festival atraiu milhares de visitantes com uma programação que combinou gastronomia, cultura e valorização da agricultura familiar.
Barracas com doces, geleias, compotas, bombons, sorvetes, molhos, vinhos e licores transformaram o Centro Histórico em um grande polo de sabores, celebrando a versatilidade da fruta símbolo de Sabará.
A jabuticaba é um pilar importante da renda de pequenos produtores rurais de diversos municípios mineiros. Com pomares espalhados por chácaras e quintais, a fruta costuma ser colhida entre novembro e dezembro, período em que a comercialização — seja nos mercados locais ou em festivais — reforça o orçamento de muitas famílias.
A Emater-MG tem papel essencial nesse processo. Segundo Sílvia Carolina Maia, extensionista de Bem-estar Social, o órgão oferece cursos de poda e adubação, assistência técnica a mulheres que produzem derivados da fruta e orientação para regularização sanitária de produtos. A empresa também coordena os produtores que vendem jabuticaba in natura durante o festival e organiza o tradicional Concurso de Derivados, realizado em outubro.
A Asprodejas reúne 27 produtoras, responsáveis por cerca de 100 itens derivados da jabuticaba. Nesta edição, o festival comemorou a conquista do Selo de Indicação Geográfica (IG) — reconhecimento que amplia a visibilidade do produto no mercado nacional e abre portas para futuras exportações.
O impacto econômico também impressiona. Segundo Sílvia, o festival chega a receber 100 mil pessoas por dia, e em algumas edições já foram vendidas seis toneladas de jabuticaba. Como não há plantios comerciais em grande escala, a produção vem principalmente de pomares domésticos, o que dificulta a mensuração precisa do volume total.
Para Feliciano Nogueira de Oliveira, superintendente de Inovação e Economia Agropecuária da Secretaria de Agricultura de Minas Gerais, a jabuticaba tem rompido fronteiras tradicionais e conquistado novos mercados.
Apesar de ainda não existirem grandes cultivos comerciais, a fruta — típica das regiões Sul, Sudeste e Centro e associada especialmente à Mata Atlântica — vem ganhando espaço em restaurantes, lanchonetes e confeitarias. Ela aparece em sucos, sobremesas, pratos gourmet e até em bebidas artesanais, ampliando o reconhecimento gastronômico da culinária mineira.
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