Levantamento com base em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da plataforma internacional ADS-B Exchange revela que três jatos executivos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro realizaram ao menos 268 voos internacionais e 261 nacionais entre 2023 e o início de 2026. Parte dessas viagens teve como destino locais conhecidos por regimes fiscais favorecidos, como Mônaco, Dubai e cidades da Suíça.
Vorcaro é dono do Banco Master, instituição que entrou no centro do maior escândalo financeiro recente do país após ser alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025.
28 voos para destinos considerados paraísos fiscais
Do total de viagens internacionais, ao menos 28 envolveram pousos ou decolagens em destinos frequentemente associados a benefícios tributários e sigilo financeiro.
Foram identificados:
- 11 voos com origem ou destino em Mônaco, principado da Riviera Francesa conhecido por não cobrar imposto de renda de pessoas físicas e por concentrar uma das maiores rendas per capita do mundo;
- 8 voos para Genebra ou Zurique, centros financeiros da Suíça, país historicamente associado à proteção de ativos e confidencialidade bancária;
- 9 voos envolvendo Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que também oferece regimes tributários atrativos para investidores internacionais.
A maior parte das decolagens ocorreu a partir dos aeroportos de Confins (MG) e Guarulhos (SP), cidades onde estavam sediadas as operações do Banco Master e empresas ligadas ao empresário.
Trancoso: ao menos 20 operações aéreas
Além dos destinos internacionais, os dados apontam que os três jatos fizeram pelo menos 20 pousos ou decolagens em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA), entre dezembro de 2023 e outubro de 2025.
Na região, Vorcaro frequentava a chamada “Villa 21”, mansão de alto padrão localizada no condomínio Terravista Golf, na Praia dos Nativos. O imóvel, com cerca de 40 mil metros quadrados, conta com 12 suítes e cinco bangalôs, e chegou a ser anunciado para locação por valores que ultrapassam R$ 500 mil em pacotes de alta temporada.
O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu a abertura de investigação para apurar a presença de autoridades federais em eventos realizados na propriedade. Peritos da Polícia Federal analisam imagens de sistemas de monitoramento dos imóveis ligados ao empresário.
Prisão no aeroporto e suspeita de fuga
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos, momentos antes de embarcar em um dos jatos, modelo Falcon 7X. Investigadores suspeitam que o destino seria Malta, na Europa. A defesa nega tentativa de fuga e afirma que a viagem seria para Dubai, onde trataria de negócios.
No dia seguinte à prisão, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar supostas irregularidades na venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Paralelamente, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em espécie, joias, carros de luxo, obras de arte e uma coleção de vinhos. O Falcon 7X foi recolhido e levado para Minas Gerais.
Aeronaves de alto padrão e pagamento à vista
Os três aviões estão registrados em nome da Viking Participações, holding sediada em Belo Horizonte, da qual Vorcaro é o único sócio. Segundo registros públicos, nenhuma das aeronaves estava alienada a instituições financeiras, o que indica aquisição sem financiamento.
Entre os modelos estão:
- Dassault Falcon 7X, fabricado em 2010, avaliado em cerca de R$ 200 milhões, com autonomia de 12 mil quilômetros e capacidade para até oito passageiros, além da tripulação;
- Dassault Falcon 2000, avaliado entre R$ 23,8 milhões e R$ 46 milhões;
- Gulfstream GV-SP, com capacidade para até 21 passageiros e autonomia de aproximadamente 7.400 quilômetros, adquirido por cerca de R$ 120 milhões.
O Falcon 7X, inclusive, é utilizado por forças aéreas e chefes de Estado em diferentes países, graças à sua autonomia intercontinental e tecnologia de comandos digitais.
Negócio suspenso e crise no grupo comprador
Horas antes da prisão de Vorcaro, havia sido anunciada a venda do Banco Master a um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira, que teria investidores dos Emirados Árabes Unidos. Após a deflagração da operação e a liquidação do banco, o grupo suspendeu a aquisição.
No início de fevereiro de 2026, empresas ligadas ao grupo Fictor entraram com pedido de recuperação judicial. A Polícia Federal também abriu inquérito para apurar eventuais irregularidades envolvendo o conglomerado.
Contexto e impacto
Especialistas em governança e compliance ouvidos por veículos nacionais destacam que o volume e a frequência de voos para centros financeiros internacionais, embora não configurem crime por si só, podem se tornar relevantes no contexto de investigações sobre movimentações financeiras transnacionais.
O caso segue sob apuração da Polícia Federal, do Banco Central e de órgãos de controle. Enquanto isso, o rastro aéreo deixado pelos jatos do empresário ajuda a dimensionar o alcance internacional das operações e das conexões mantidas pelo grupo nos anos que antecederam a derrocada do Banco Master.
::: CLIQUE AQUI E ENTRE PARA O NOSSO GRUPO NO WHATS APP :::
Acidente Assassinato Belo Horizonte Betim BR-040 BR-116 BR-251 BR-262 BR-365 BR-381 Contagem Corpo de Bombeiros Crime Cruzeiro Divinópolis Governador Valadares Grande BH Ibirité Ipatinga Itabira João Monlevade Juiz de Fora Lula Minas Gerais Montes Claros Nova Lima Patos de Minas Polícia Civil Polícia Federal Polícia Militar Polícia Militar Rodoviária Polícia Rodoviária Federal Previsão do Tempo Ribeirão das Neves Sabará Samu Santa Luzia Sete Lagoas Triângulo Mineiro Tráfico Uberaba Uberlândia Vale do Rio Doce Vespasiano Zona da Mata mineira





